quinta-feira, 25 de maio de 2017

Pobre País




Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos.
Joeslei Batista, executivo da JBS em carta em que pede esculpas pelo que fez.





A JBS é a maior processadora de carne do mundo e se transformou nessa condição depois de receber do BNDES financiamento  a juros subsidiados e conseguir colocar junto a uma subsidiária do banco mais de 20% de suas ações, tudo em montante superior a R$ 10 bilhões. Posteriormente, recebeu mais R$ 4 bilhões dos fundos de pensão.

Era comum ao governo repassar a empresas, a taxas de juros muito inferiores às que eram pagas na captação junto ao mercado. As empresas JBS e as do grupo “X”, do empresário Eike Batista, eram os principais favorecidos. Esses repasses foram feitos nos dois governos passados, que tinham uma política de formação dos denominados “players” ou campeões nacionais, destinados a competir no mercado externo. Era a “ bolsa empresário”.

Para termos uma ideia da dimensão dessa empresa, basta citar que ela realizou um faturamento de R$ 170 bilhões em 2016, mais de 17% superior à receita do todo-poderoso Estado de São Paulo, que nesse ano foi de R$ 145 bilhões. Em outra comparação, correspondeu também às receitas nesse mesmo ano dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, somadas.

Pois essa empresa pegou nosso dinheiro a juros negativos e criou mais de 220 unidades operacionais em outros países e agora está indo para os Estados Unidos, responsáveis por quase a metade das vendas globais, depois de ter instalado sua sede na Holanda.

Em todos esses países, a expansão de suas atividades será sem transgredir valores éticos. Isso fica fácil depois de adquirir essa enorme fortuna de forma ilícita, comprando políticos, dando propinas e tudo o mais.

E um de seus diretores, para se livrar do julgamento implacável do juiz Moro, fez uma delação que, embora revelando verdades, acabou prejudicando o País que vinha se recuperando da maior recessão de sua história, onde foram gerados mais de 13 milhões de desempregados.

A inflação que já estava abaixo do centro da meta, a taxa de juros que estava caindo e o crescimento da economia que estava começando a ocorrer foi tudo água abaixo.

Os brasileiros ficaram com a crise de volta, enquanto os executivos da empresa, rindo de nós, irão residir nos edifícios mais luxuosos de Nova Iorque.

Pobre do nosso País!

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