quinta-feira, 16 de junho de 2016

Magistério: O problema está no sistema

Há muitas décadas, o magistério estadual reivindica melhoria em seus salários, sem, contudo, conseguir obtê-la. Em 1987, fez uma greve para que o básico para 20 horas fosse de 2,5 salários mínimos, básico esse (sem os multiplicadores)  que está atualmente em menos de um salário mínimo, embora esse último seja hoje muito maior.

Deve ser destacado que tanto o Governo do Estado como a  Secretaria de Educação foram ocupados por integrantes de todas as ideologias políticas, de direita, de esquerda, de centro-esquerda, de centro-direita, inclusive um partido que tem como bandeira principal a educação.

Será que todos esses governadores e secretários não tinham conhecimento da importância da educação para desenvolvimento econômico e para a promoção social do cidadão, especialmente os menos favorecidos?

Será que esses agentes públicos tinham interesses inconfessáveis de prejudicar a educação? Conheço vários deles e tenho convicção de que  pensam exatamente o contrário. Fariam de tudo para pagar melhor o professor e oferecer uma educação de qualidade.

Então, se o problema não está nas pessoas que dirigem a educação, nem na ideologia que professam, ele está no sistema. É uma questão de lógica elementar.

Ocorre que toda vez que um governo resolve mudar alguma coisa no sistema, ele é alvo de críticas, de que é neoliberal, que quer privatizar a educação, como se o sistema público que tanto criticam fosse um exemplo..

Mas as causas básicas do problema continuam intactas: ideologização excessiva, plano de carreira arcaico e aposentadorias precoces.

 Não se sustenta um sistema em que quase 90% dos servidores pode se aposentar com 50 anos de idade, após 25 anos de contribuição, e  receber uma aposentadoria de 100% da remuneração durante 35 ou mais anos. Isso faz com que grande parte dos recursos que seria destinado ao pagamento dos professores em atividade seja despendida com inativos.

O problema não está nas pessoas, mas no sistema, mas aqueles que mais o criticam são os primeiros a defendê-lo, sempre quando um governo se propõe a modificá-lo.

Par ler na Zero Hora de hoje, 16/06/2016, clique aqui.