segunda-feira, 18 de abril de 2016

Porque Dilma está caindo!

Dilma e o PT repetem sistematicamente que a Presidente  é honesta, que não é acusada de corrupção, que não está na Lava-Jato, que não tem contas no exterior, etc. Tudo isso é verdade, mas não é disso que a estão  acusando.

Apesar de todas as denúncias de corrupção,  atingindo as pessoas mais próximas da Presidente, como Erenice Guerra, que está em quase todas, Dilma se desgastou pelo que mais desgasta os governos: a economia. Não é por outra razão que o velho Karl disse que a economia é a infraestrutura da sociedade. Não há governo que caia quando a economia vai bem. A própria Dilma é exemplo disso até começar a recessão.

Houve diversas “barbeiragens” na condução da política econômica, como o excesso de desonerações fiscais (que reduziu em muito a arrecadação), empréstimos excessivos com juros subsidiados a grandes grupos empresariais (os campeões nacionais), inclusive para uns comprarem outros, alcançando uma cifra perto de R$ 600 bilhões. Isso começou com o governo Lula.

Isso ajudou a elevar os gastos com juros, que já eram excessivos. Ela errou na condução da política energética, errou com a Petrobras. Neste último caso gastou todo o  recurso gerado pela venda do petróleo do pré-sal em 2010, cuja metade era destinada à capitalização da Petrobras. Todo esse dinheiro foi consumido em subsídio aos combustíveis, porque que tinha que agradar aqueles que atenderam os chamados do governo,  adquirindo carros, financiados em longuíssimo prazo (outro problema).  Posteriormente, com o petróleo caindo de preço, teve que subir o preço dos combustíveis.  
Tudo isso e sem a ajuda das “commodities”, que haviam subido 170% em dólares entre 2003 e 2011, e ainda tendo que manter a despesa criada no período de bonança, quase toda incomprimível, o ritmo de crescimento da receita passou a cair, gerando déficits insustentáveis.  O resultado primário, que já era insuficiente, porque cobria em torno de 40% dos juros nos últimos anos, passou a ser negativo, alcançando em  12 meses, em fevereiro do corrente,  R$ 125 bilhões, com tendência a ser manter ou aumentar. Com isso, o déficit nominal do País alcançou R$ 613 bilhões ou quase 11% do PIB. E isso foi facilitado pela contabilidade criativa e pelas “pedaladas fiscais”.

 Para termos uma ideia, a União Europeia recomenda como máximo 3% de déficit fiscal (nominal).

Isso a impediu de dar continuidade aos programas sociais,  o que populariza os governos. Não há governo  que  se sustente sem crescimento da economia, principalmente no Brasil que tem uns dos maiores gastos sociais no mundo, quando medidos em relação ao PIB. E isso não foi gerado nos governos do PT, mas foi incrementado por eles, como era natural.

Tudo isso, acrescido da inflação e do desemprego, causou um descontentamento geral, do que a oposição se aproveitou, o que não é uma novidade.  Não podemos esconder o sol com a peneira, sob a alegação de que o Congresso é o pior possível. Isso é verdade e vai continuar a ser, com tendência a piorar, na ausência de uma reforma política. E isso só será combatido com o bom exemplo, que deve vir de cima. Não basta o chefe ser honesto, as companhias, principalmente as mais próximas,  têm que ser também honestas.  E não é isso que vemos no Brasil.

E o pior de tudo é que agora, com mão de obra sobrando e capacidade ociosa,  a economia pode fazer um “voo de galinha”, mas, depois para continuar a crescer, vão faltar energia elétrica e infraestrutura, porque o Brasil investe pouco, porque a poupança é muito baixa. Aguardemos!

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