segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Porque os juros são altos no Brasil

Nos últimos doze meses, a taxa básica de juros subiu quase 30%, ao passar de 8,75% para 11,25%. Em termos reais, isto é, descontada a inflação, transformou-se na taxa de juros mais alta do mundo.

Além dos reflexos na dívida pública, a alta taxa de juros sobrevaloriza a moeda nacional, prejudicando a competitividade das empresas, com graves efeitos na balança comercial.

O fator determinante dos juros altos é o excesso de gastos e o tamanho da própria dívida, que tem origem nos déficits acumulados. Gastos excessivos, juros, dívida, inflação e alta carga tributária formam um círculo vicioso que se retroalimenta.
Quando os gastos são altos o governo não consegue formar a poupança necessária para pagamento dos juros da dívida, o chamado superávit primário. Com isso, os juros não pagos acumulam-se ao saldo da dívida para gerar mais juros. Chega a um ponto que a situação fica insustentável.

E quando isso acontece, a saída encontrada é o aumento de tributos. E como a maioria dos tributos incide sobre as mercadorias e serviços, o resultado disso será o aumento de preços, portanto, mais inflação. E para combatê-la o governo aumenta mais a taxa de juros. Isso forma um círculo vicioso que explica porque a carga tributária brasileira dobrou em 50 anos, ao passar de 17% em 1960 para 35% do PIB atualmente.

Tudo isso explica o crescimento da dívida bruta do Tesouro Nacional que atingiu em novembro passado R$ 2,35 trilhões (61,6% do PIB), com um aumento de 15% em relação a um ano antes, duas vezes e meia a taxa de inflação oficial.

A principal causa desse extraordinário crescimento foi a incorporação dos juros ao saldo da dívida. Para termos uma dimensão de seu valor, basta citar que nos últimos doze meses a dívida pública federal gerou R$ 125,6 bilhões de juros. O superávit formado para o pagamento desses juros foi de R$ 64,5 bilhões (51%) e teria sido de apenas R$ 32,5 bilhões (26%) não fosse o recebimento antecipado pela venda feita à Petrobras de cinco bilhões de barris de petróleo que se encontram a 7 mil metros de profundidade, na camada pré-sal.

O resultado disso tudo isso será um grande arrocho. E, se isso não for feito, quem pagará a conta será o contribuinte, mediante aumento de tributos, diretamente ou de forma indireta, como é o caso da não correção da tabela do Imposto de Renda. Aguardemos!